Nunca gostei muito do dia da mulher.
E não me caiam já em cima! Ou não, que posts nada engraçados, normalmente dão direito a poucos likes..
Não gosto deste, nem do Dia do croquete ou do Dia dos vesgos. E refilo, primeiro porque as pessoas que refilam têm muito mais piada, e porque se deturpa quase tudo e porque ele representa e lembra tudo aquilo que ainda não fomos capazes de resolver, homens e mulheres deste mundo, em relação ao género. Não me identifico nada com feministas que se acham superiores, gosto de coisas razoáveis, não somos melhores nem piores que eles, há de tudo. E sim, há uns mais evoluídos, melhores que os outros, homens ou mulheres, outros menos…
Só me chateia tudo o que eles não nos ajudam a mudar, mas chateia-me ainda mais o que elas mantêm. E não falo dos dados graves da violência, desigualdade e desrespeito – porque me parecem demasiado óbvios e gritantes e assustadores para os dias de hoje..
Falo das coisas do dia a dia, aquelas que nunca ninguém fala às mesas de jantar porque são desconfortáveis e é mais fácil trocar receitas. Falo de serem pouco amigas delas e tão dependentes deles, e de se acomodarem, e de não refilarem. E se é assim no dito primeiro mundo, imaginem-se o segundo e o terceiro. São séculos de atraso.
Prestar homenagem a todas as valentonas que lutaram e se chegaram à frente pelos direitos que hoje temos, em tempos que era quase impossível uma mulher fazer fosse o que fosse? Sim!
Indignar com as injustiças e desigualdades no nosso país? Claro!
Indignar ainda mais com o que se passa por países em teoria menos evoluídos que nós? Como não?
Tentar mudar alguma coisa? Sim!
Mas não cair em exageros, como a história de banalizar assédios, se calhar também já fui assediada, se calhar já assediei e não dei conta.. Não se pode vulgarizar coisas tão importantes e graves! É muito perigoso para quem realmente sofre.
Parabéns parece-me exagerado, dado que a genética é uma coisa tão complexa quanto similar á lotaria. Eu não conquistei nada, não fiz nada para que as coisas mudassem.
E não, não somos todas princesas (conheço algumas bruxas sim), e não, não somos todas guerreiras (há de tudo, quem lute e quem se encoste).
Agradeço e reconheço tudo o que foi feito até aqui para que eu pudesse por exemplo, ser empresária (tenho plena noção que a minha palavra por vezes é menos ouvida que a de um homem, mas um dia lá chegaremos), o poder usar mini-saia quando me apetece, o poder estudar, enfim, um sem número de coisas que temos por garantida, mas que ainda é bem recente. Sei que como empregadora, é uma dor de cabeça licenças de maternidade e afins, mas não é por aí que a produtividade diminui.. Aliás, é toda uma sociedade que trabalha horas a mais para tempo de qualidade para família.
Ouvi sempre a minha mãe e o meu grande pai, lembrarem-me disso, que era igual a qualquer homem, e que não tinha que depender de nenhum – cresci fora da caixa à conta de a ter, à mãe, moderna e evoluída – e isso sempre me tornou a vida mais difícil, mas tão mais livre e ilimitada. E essa sim, e as outras da minha vida, merecem a minha homenagem, sempre! Acredito que o futuro das novas mulheres seja maior, que queiram ser sempre mais inteligentes, conscientes e autónomas, e isto é meio caminho andado para o resto…